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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Implantação de faixas preferenciais para motociclistas divide opiniões

 

Experiência adotada em São Paulo traz informações relevantes para BH. Segurança da faixa preferencial ainda não é consenso


A possibilidade de implantação de vias preferenciais para moto dividiu opiniões em audiência pública sobre o tema, solicitada por Braulio Lara (Novo) e realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário nessa quinta-feira (30/6). Implementada de maneira experimental na capital paulista, a medida tem o entusiasmo dos motofretistas daquela cidade. Já representante do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) acredita que a via pode aumentar a velocidade das motos e consequentemente aumentar a letalidade dos acidentes. Enquanto a representante da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) defendeu o projeto piloto atual, vigente em uma das mãos da Avenida 23 de Maio, e explicou as diferenças essa experiência e as anteriores, representantes do Executivo e de segmentos civis de Belo Horizonte se posicionaram sobre o tema e acompanharam o debate. Todos concordaram que a educação no trânsito é importante e muitos disseram que a forma de obter a carteira de motorista para motos está defasada. 

Braulio Lara agradeceu a presença dos vereadores Henrique Braga (PSDB), Gilson Guimarães (Rede) e Wesley (PP), que acompanharam a audiência, bem como a divulgação da iniciativa pela imprensa e as diversas manifestações de cidadãos recebidas por ele sobre o tema. Lara afirmou ser importante realizar um debate inicial para escutar as diversas opiniões sobre a faixa preferencial para motociclistas, implementado de forma pioneira em São Paulo. O parlamentar disse que, no momento, não está fazendo um projeto de lei. “O propósito da reunião é dar voz a todas as partes e implementar a medida, se ela for viável”, concluiu. 

Motos em BH
 
José Carlos Mendanha Ladeira, diretor de Sistema Viário da BHTrans, motociclista e especialista em trânsito, disse que a legislação atual impede que se troque o espaço de todos pelo espaço individual, o que não impede a implantação de faixas para motociclistas. Essa possibilidade foi considerada pelo Fórum de Mobilidade dos Motociclistas, mas não se encontrou um trecho favorável à realização de um teste. Mendanha considerou que se ela fosse testada na Avenida Cristiano Machado, seria eliminada uma faixa de tráfego importante para a fluidez do trânsito.  Ele disse que a implantação do motobox, parada preferencial dos motociclistas em frente aos sinais de trânsito foi positiva, mas que é necessário buscar novos formatos, e sugeriu que as motocicletas pudessem andar nas vias marginais ao Anel Rodoviário. 
 
Dois representantes da Associação de Motofretistas de Belo Horizonte e Região Metropolitana se pronunciaram. Márcio Borges defendeu a implantação da faixa para motociclistas no Anel Rodoviário para diminuir o número de acidentes. Amanda Lemos da Silva demonstrou dúvidas a respeito da faixa preferencial para motociclistas. Ela disse que muitos carros avançam no motobox, o que faz com que os motociclistas avancem na faixa de pedestre. 

Velocidade e acidentes de trânsito
 
Coordenador do Programa de Mobilidade do IDEC, Rafael Calabria, é contrário à implementação da faixa preferencial de motociclistas em geral e em São Paulo. Ele explicou que um dos fatores de risco no trânsito é a velocidade, e que os fatores de risco, como a ingestão de bebida alcoólica, falar ao celular e alta velocidade se somam, tornando a direção cada vez mais perigosa. Ressaltando que não está culpabilizando os motociclistas, que são, juntamente com os pedestres, as maiores vítimas de acidentes, Calabria disse que a pista preferencial pode aumentar a velocidade das motocicletas e o risco de acidentes fatais. O representante do IDEC também disse que a motofaixa gera um problema de mudança de faixa e sugeriu que medidas como a redução da velocidade sejam mais eficazes para melhorar o trânsito. 
 
Alexandra Morgilli, supervisora do Departamento de Estudos e Segurança Veicular da Gerência de Segurança e Tráfego da CET de São Paulo, disse que esse é um projeto piloto, que tem o aval e o acompanhamento do Conselho Nacional de  Trânsito (Contran). Ela explicou que a faixa preferencial implementada não é exclusiva e tem sido objeto de acompanhamento diário, com relatórios trimestrais. A implementação de faixas exclusivas, feita em 2010, não foi possível, pois gerou uma falsa impressão de segurança, o que levou a um aumento de velocidade das motocicletas. A medida atual tem aprimoramentos em relação ao modelo anterior, como a diminuição da via para 90 cm de largura, de modo a não permitir ultrapassagens. Ela disse, ainda, que houve uma redistribuição do espaço, aproveitando um corredor que já existia, e que a medida atual melhorou a intervisibilidade entre carros e motocicletas. A representante concluiu que serão implementados os ajustes necessários e que, até o momento, o resultado do projeto é bom. Atualmente, aguarda autorização da instituição federal para dar continuidade ao mesmo. 
 
Wesley sugeriu que a maneira de obter carteira de habilitação para motos fosse modificada com a implementação de mais uma etapa, uma vez que atualmente o teste é realizado em um local que foge da realidade do trânsito real. Eele disse que passou a considerar a ideia de implementação da faixa preferencial para motociclistas em Belo Horizonte. Lara defendeu a importância do diálogo e parabenizou São Paulo por sempre trazer inovação, implementando medidas que estão no dia-a-dia do trânsito. 
 
André Dantas, superintendente da Superintendência de Mobilidade Urbana (Sumob), disse ser esta a primeira vez que comparece em uma comissão e registrou o apreço pela Casa, assegurando estar à disposição para debater esse e outros assuntos. “Toda intervenção com esse tipo de inovação deve ser considerada com o máximo de técnica para que nós não criemos um risco de competência jurídica ou de instância política”, ponderou. Dantas afirmou que o motofretista deve ser amplamente considerado, e que as iniciativas que contribuírem para a categoria podem ser benéficas para a cidade. O superintendente disse haver outras iniciativas em andamento para conferir dignidade, respeito para que a categoria exerça a profissão de forma digna, e concluiu que a Sumob vai incorporar o que a sociedade estabelecer como prioridade. 
 
Osias Batista representante dos motociclistas, disse haver dois tipos de motociclistas: os motofretistas, que passam até mais de 12 horas no trânsito e conhecem suas mazelas, e os trabalhadores, que trocaram os ônibus pelas motocicletas, em decorrência da liberdade que este veículo oferece. A última categoria não tem a experiência da primeira, ponderou. Batista defendeu, ainda, ser importante que motoristas e motociclistas conheçam bem a realidade um do outro. 

Carros e motos: realidades diferentes
 
Edgar Gringo, presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR), contou que, embora tenha sido contrário à faixa no início, hoje é favorável. “Considero a iniciativa positiva porque trouxe a diminuição do uso de buzinas sem que o motociclista relaxasse demais”, afirmou. Gringo explicou que, quando a moto transita entre carros, vai dando aceleradas sucessivas para sair de engarrafamentos, o que pode fazer com que aumente sua velocidade. Edgar contou que a medida tem adesão da sua categoria, pois trouxe segurança, e criticou quem é contrário, alegando que estes não conhecem a realidade de quem anda de motocicleta. Ele disse que as etapas para tirar uma carteira de motorista do setor são da década 1980, e que o trânsito mudou, defendendo uma formação em três etapas. Calabria argumentou que, se na faixa preferencial não cabe carro, ela é exclusiva para os motociclistas. Ele reafirmou o receio de que a velocidade diferente entre motos e carros possa gerar ocorrências
 
Assessor da presidente da Câmara Nely Aquino (Pode), Marcos Vinicius da Silva, administrador, mestre em Saúde e Violência no Trânsito pela Faculdade de Medicina da UFMG, defendeu estudar a viabilidade da medida e ressaltou que, além dos aspectos legais, há a questão comportamental, presente nas análises do Grupo de Estudo sobre Violência no Trânsito do qual faz parte. Embora o trânsito seja um ambiente coletivo, o comportamento do brasileiro é individualista. “É preciso levar esse fator em conta para implementar novidades”, salientou. Assessor de Relações Institucionais da Invepar, empresa concessionária da BR 040, Frederico José de Souza afirmou que a concessionária da via realizou, junto com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e a BHTrans, uma ação que reduziu em 78% os acidentes entre caminhões e carros entre 17h e 21h. Ele também disse ter feito uma sensibilização bem sucedida entre ciclistas e caminhoneiros, mostrando para um grupo a realidade do outro. “A vivência da experiência do outro é significativa”, garantiu.
 
Alexandra Morgilli disse que política é o contrário do confronto e significa aprender a negociar para avançarmos como sociedade. Ela acrescentou que estão sendo implementadas medidas de engenharia para corrigir eventuais erros do projeto piloto implementado e atender a população. Braulio Lara defendeu a importância da educação para o trânsito em geral e caso a medida seja efetivada futuramente, lembrando que o motociclista, muitas vezes, é a parte mais vulnerável nos acidentes de trânsito. O parlamentar agradeceu a presença de todos dizendo ter considerado o debate produtivo. Lara disse ao CET de São Paulo que está atento ao trabalho realizado na capital paulista, esperando ter boas notícias. 
 
Fonte: Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH

MOTOCICLETAS em faixa EXCLUSIVA em BH? Audiência pública debateu o assunto

 

Confira na íntegra a audiência pública que discutiu os prós e contras de uma possível implantação de faixas exclusivas para motocicletas em Belo Horizonte. A reunião aconteceu em 30/06/2022 na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário da Câmara Municipal de BH.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Em debate, implementação de faixa preferencial para motocicletas

 


Uma possível solução para a convivência nem sempre harmônica de motocicletas e carros no trânsito, já testada em São Paulo (SP), será tema de debate na Câmara. A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário vai realizar nesta quinta-feira (30/6) audiência pública para debater a implantação de vias preferenciais para motos em Belo Horizonte às 13h30, no Plenário Camil Caram. O debate foi solicitada por Braulio Lara (Novo), e será transmitido ao vivo pelo Portal CMBH. A população interessada pode participar enviando perguntas e/ou sugestões por meio de formulário já disponível.
 
Lara disse que um projeto piloto de vias preferenciais  para motociclistas foi implantado em São Paulo (SP), conhecido como "Faixa Azul" para motos. Uma vez que o sistema já está sendo avaliado na capital paulista, a audiência pública tem a finalidade de dialogar com pessoas que atuam na área de transportes com motos em seus diversos segmentos para verificar a viabilidade ou não de se implantar vias preferenciais em alguns corredores de Belo Horizonte. O vereador disse que a medida pode trazer muitos benefícios para os motociclistas que comumente são a parte mais frágil no trânsito, sendo acidentes com motocicletas bastante perigosos. “A faixa preferencial para motos pode organizar melhor uma situação no trânsito que já acontece principalmente quando os grandes engarrafamentos ocorrem. Por outro lado, as autoridades de trânsito vão poder contribuir muito nessa discussão, trazendo outros pontos de vista. Temos que avaliar se a medida realmente produz segurança ou não”, afirmou. E concluiu que é preciso que motos e carros tenham uma convivência mais harmônica dentro do trânsito, numa perspectiva de trânsito mais seguro. 
 
Foram sugeridos os seguintes convidados: o secretário municipal de Governo e autoridade de trânsito do Município de Belo Horizonte, Josué Costa Valadão, a presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Marilena Lazzarini,  a gerente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Sandra Alice Pinto Coelho Marques, o presidente da  Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR), Edgar. Também foram convidados representantes da Associação dos Motofretistas de Belo Horizonte e Região, do Sindicato dos Mototaxistas, Motofretistas e Ciclistas Autônomos do Estado de Minas Gerais, da Associação dos Motoqueiros e Bikeiros de Belo Horizonte (AMO BH) e dos motociclistas. 
 
Faixa Azul
 
A imprensa noticiou que, em janeiro desse ano, a cidade de São Paulo implementou o projeto “Faixa Azul” na principal via entre as regiões Norte e Sul da cidade, com início no centro e indo até a Zona Sul, no Parque Ibirapuera. Com cerca de 6km de extensão, a faixa foi instalada como projeto piloto, com duração de dois anos e a expectativa de diminuição do número de mortes envolvendo motociclistas. O corredor se situa mais à esquerda da via, local em que as motos trafegam usualmente, em um espaço demarcado de azul de 90 cm. O tráfego de motos no local não é exclusivo nem obrigatório, e tem o mesmo limite de velocidade da avenida em que se situa, que é de 60 km/h.
 
A gestão municipal da capital paulista informou que o projeto é uma tentativa de redução de acidentes na via em que foi implementada. São Paulo contabilizou mais de 7 milhões de veículos e o falecimento de quase 400 motociclistas em 2021, um aumento de 16% na comparação com 2020. Além das mortes, a cidade teve quase 7 mil acidentes graves ou com sequelas envolvendo motos no ano passado. 

FONTE: Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH